Ansiedade e Depressão: Um olhar além dos dados médicos

Ansiedade e Depressão: Um olhar além dos dados médicos.

Por: Roseli Chieco – Psicóloga.

Em meio ao ritmo frenético de acúmulo de tarefas, respostas rápidas e urgentes, desejos intensos e efêmeros, termos como Depressão e Ansiedade são cada vez mais familiares.

Ansiedade é definida como uma vivência humana universal, uma emoção cuja definição é imprecisa, mas que pode ser apreendida e estudada através da introspecção ou, indiretamente, por seus correlatos fisiológicos (Gentil, 1997). É um sinal que nos prepara para o que poderá acontecer dado um contexto ambiental específico. Do ponto de vista biológico, é um estado de funcionamento cerebral, ligado a percepção de contextos ambientais potencialmente ameaçadores, que possibilita a identificação do perigo e o grau da ameaça (potencial, distante ou iminente) e elicia ações comportamentais específicas de enfrentamento.

Já a Depressão faz parte dos distúrbios de humor e pode ocorrer em qualquer fase da vida. É uma doença psiquiátrica, caracterizada por uma tristeza profunda, perda de interesse, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima além de distúrbios do sono ou apetite. Também há sensação de cansaço e falta de concentração (OMS).

O excesso de passado (depressão) e de futuro (ansiedade) impacta e paralisa, impedindo vivenciar o presente.

Existem diversos estudos no mundo, com estatísticas, critérios diagnósticos, guidelines, medicações de padrão Ouro, Prata e terapias alternativas que são legítimos e necessários para que a medicina siga cumprindo sua missão, mas o que existe além dos dados médicos?

Mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão no mundo (Organização Mundial de Saúde – OMS). As previsões apontam um crescimento alarmante do número de pessoas que receberão estes diagnósticos nos próximos anos. Em pouco tempo, teremos mais diagnósticos de depressão que diabetes e cardiopatias no Brasil. Esses números são impactantes e ao mesmo tempo, mostram que é necessário refletir sobre o estilo de vida que estamos adotando enquanto sociedade de maneira global.

Além dos fatores genéticos que predispõem a quadros de Ansiedade e Depressão, cultivamos comportamentos que funcionam como gatilhos para as crises, como: abrir mão de quantidade mínima de sono e descanso, alimentação inadequada, estresse físico e psicológico provocados pela necessidade de adaptação a exigências de resultados que nem sempre são compatíveis com a capacidade real, consumo de drogas (lícitas e ilícitas), relacionamentos afetivos, sexuais e sociais, etc.

O que o diagnóstico de Depressão e Ansiedade significa para quem é acometido?

Ser diagnosticado corretamente pode ser um alívio, mas é somente parte da busca por respostas. Após ter a patologia reconhecida e nomeada, o tratamento multidisciplinar faz toda diferença.

Além de tratar os sintomas físicos, é cada vez mais importante identificar o motivo do desenvolvimento destas patologias específicas, como respostas de pessoas que são singulares. A preocupação é retirar o estigma e permitir que as pessoas possam lidar com suas questões reduzindo o prejuízo da qualidade de vida e impedindo que estes quadros possam evoluir para o aumento do número de suicídios.

Percorrer a estrada que leva a estas respostas é objetivo da Psicologia. Com as ferramentas fornecidas pelos processos psicoterápicos é possível dar significado ao sintoma – sem pressão, sem julgamentos, com a condução de profissionais técnica e humanamente preparados.

Recebemos nos consultórios diariamente pessoas que não sabem identificar quando ou como começou o “vazio”, a sensação de desesperança, falta de energia, angústia dispersa dentre outros sintomas.

A medicação exerce papel de extrema importância para que, num primeiro momento, o funcionamento físico possa ser restabelecido e fornece as condições necessárias para dar continuidade às atividades de rotina, mas pode vir acompanhada de efeitos colaterais, que a longo prazo podem impactar outros aspectos do convívio social.

Por isso, é importante aliar a terapia ao tratamento farmacológico. O tratamento não pode se limitar aos sintomas. Precisamos investigar a causa. Só assim, poderemos vislumbrar remissão e prevenir a disseminação de tanto sofrimento.

Roseli Chieco
Psicóloga Clínica, Jurídica e Hospitalar e atende crianças, adolescentes e adultos.
Tel/WhatsApp: (11) 997229982
E-mail contato@roseli.psc.br

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