E Aí… Trabalhando Muito?

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E Aí… Trabalhando Muito?

Giuliana Bansi Giatti

 

Você já encontrou uma pessoa conhecida que não via há algum tempo e uma das primeiras perguntas que ela fez foi “Trabalhando muito?”. E ao pensar o que responder, nos perguntamos “o que significa trabalhar muito? Trabalhar todos os dias? Trabalhar as 8 horas pelas quais fui contratado? Mais de 12 horas? Não ter tempo para outras coisas?”

Pois é, nos vemos encurralados com essa pergunta já que nos tempos atuais parece que trabalhar muito é significado de sucesso profissional. As pessoas trabalham por 10, 12 horas ou mais, não conseguindo cumprir com seus horários, não tendo tempo livre para outras atividades como exercícios físicos, lazer, tempo com a família, consultas médicas, etc. É de casa para o trabalho e do trabalho para casa.

Ser workaholic parece ter se tornado “moda”. Algumas pessoas acreditam que serão mais valorizadas quanto mais horas trabalharem, pois associam que quanto mais horas de trabalho, maior será sua produtividade. Porém, se analisarmos bem, trabalhar em excesso aumenta o cansaço, o estresse, a falta de concentração, os riscos de doenças, influenciando negativamente a produtividade no trabalho.

Entretanto, não quero me concentrar aqui na avaliação da produtividade e, sim, no indivíduo em relação às expectativas atuais da sociedade.

Vejo com frequência, no consultório e na minha vida pessoal, pessoas que têm flexibilidade de horário, ou que cumprem com suas 6 ou 8 horas de trabalho diário, mas que ao se deparar com esta pergunta – “trabalhando muito?” – sentem-se constrangidas em dizer que não estão trabalhando muito, apenas o suficiente. Sentem-se culpadas por acreditarem não estar de acordo com as expectativas, já que é frequente o estranhamento diante desta situação.

Mas por que atualmente pensar em trabalhar menos é visto de maneira tão negativa por alguns?

A qualidade de vida e a satisfação em pequenos momentos do dia-a-dia são desvalorizadas e deixadas de lado em prol do consumo, e o consumo é visto como caminho para a qualidade de vida. Ter sucesso profissional é sinônimo de trabalhar muitas horas para ganhar muito bem e conquistar coisas materiais, mesmo que muitas vezes não sobre tempo, nem energia, para desfrutar dos bens conquistados.

Com essa discussão não tenho interesse em concluir qual a melhor maneira de se viver, mas, sim, abrir espaço para uma reflexão acerca do modo como levamos nossa vida e quão satisfatório é viver assim.

É preciso considerar que a satisfação pessoal em relação ao trabalho é diferente de pessoa pra pessoa e que não depende do número de horas trabalhadas. Não devemos esperar que todos os indivíduos se adequem ao mesmo modo e ritmo de vida. Somos seres individuais e temos o direito de escolher que maneira queremos viver. Ter a intenção de trabalhar menos e priorizar a qualidade de vida não pode ser motivo de vergonha ou receio quanto ao julgamento alheio.

É possível escolher uma vida mais tranquila, na qual o trabalho tenha sua importância, sem desvalorizar o tempo livre para as outras coisas que nos dêem prazer. Encontrar um sentido maior para nossa vida, que equilibre trabalho, conquistas materiais, família, lazer é um caminho para a satisfação pessoal e uma reflexão que todos deveriam fazer.

 

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