Sobre Relaxamento, Terapia, Psicoterapia e Suas Diferenças

 Por Juliana Conde

 

Não é incomum ouvirmos frases como: “fazer tricô é uma terapia pra mim”, “nadar é minha terapia”, “meu analista é minha moto”, nelas, as pessoas se referem a um estado de relaxamento ou prazer, e o associam aos efeitos de uma psicoterapia.

Mais do que “força de expressão”, algumas pessoas realmente acreditam que certas atividades podem substituir a psicoterapia e, de fato, acredito que algumas sim. Mas são atividades que necessariamente envolvam ampliação de consciência e maior percepção e entendimento de si mesmo – objetivo da psicoterapia. Nesse campo podemos encontrar terapias de vários formatos bem como trabalhos de autoconhecimento muito sérios.

Contudo, é preciso ter atenção ao uso popularizado do termo terapia (ou psicoterapia). Você pode passar a vida toda pintando quadros ou fazendo o seu “tricô-terapia”, sem com isso entender absolutamente nada sobre seus problemas no trabalho ou dificuldade de relacionamento, por exemplo.

Vale lembrar que toda atividade que desempenhemos que nos traga alegria, equilíbrio e descanso, não só é válida, mas também muito importante para uma vida mais saudável. Os chamados hobbies podem ser um oportuno momento de reflexão sobre sua vida e clareza da necessidade de mudança, mas podem também a ser uma distração ou fuga para os problemas e suas causas.

Já os exercícios físicos, meditação, massagens, técnicas de relaxamento e respiração nos ajudam a ter uma maior consciência corporal e, portanto, atuam como um canal para acessarmos emoções, sentimentos e “travamentos” em nosso corpo. Tudo o que chamamos de psicológico, tem correspondência no corpo. Vejam os casos das crises de ansiedades e todos os seus sintomas corporais.

Meu objetivo maior com esse breve texto é chamar atenção para aquilo que só a palavra pode alcançar. Conseguir nomear nossas dores, medos, expectativas e tantas outras experiências humanas é fundamental para alivio do sofrimento. A psicoterapia é o processo onde nossos pensamentos, sentimentos, sensações e comportamentos são considerados e abordados na busca dessa maior percepção de Si-mesmo e de nossas relações no mundo.

Continue com suas práticas, seus hobbies e atividades de lazer mas não deixe de buscar um psicólogo se estiver sofrendo ou achar que precisa de ajuda para alguma questão em sua vida.

Relaxamento nem sempre amplia consciência, e fazer terapia nem sempre é prazeroso, mas muita vezes necessário.  Contudo, é bom lembrar que apesar do desprazer fazer parte do processo terapêutico (quando entramos em contato com angústias ou verdades difíceis, por ex.), ele também propicia estados pouco comparáveis como: a liberdade de revelar nossos segredos, medos, fantasias e sentimentos mais íntimos e poder ser acolhido sem julgamento. Essas experiências podem gerar o que chamamos de catarses (“colocar tudo pra fora” a partir da fala e sentir um esvaziamento ou “limpeza” emocional) e muitas vezes provocam uma sensação muito forte de relaxamento e prazer, além facilitarem o processo de cura emocional.

Não coloquemos tudo no mesmo “balaio”, certo?

 

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