Tristeza Puerperal (“Baby Blues”) e Depressão Pós-Parto

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Por Juliana Conde

 

De alguns anos pra cá já se fala muito sobre depressão pós-parto. Revistas, artigos e a própria internet divulgam informações sobre esse estado em que muitas mulheres se encontram no pós-parto – imediato ou não. Ela é caracterizada por sentimentos de angústia, forte sensação de incompetência em cuidar do bebê, tristeza sem causa aparente, irritação, falta de vontade e dificuldades de se sentir vinculada emocionalmente ao bebê. Mulheres que já tiverem depressão ou que viveram uma gestação difícil, com muitas oscilações de humor e conflitos emocionais ou que sofreram separações, abuso ou abandono na infância, tem mais chances de ter depressão pós parto, mas pode acontecer com qualquer uma.

Agora, o que a maioria das mulheres não sabe, é que logo após o nascimento do bebê, uma grande mudança hormonal somada ao impacto desse novo papel na vida da mulher gera o que chamamos de tristeza puerperal ou “baby blues”. A mulher sente alguns dos sintomas que descrevi na depressão pós-parto mas de forma mais tênue e por um período muito menor (entre 3 a 15 dias em geral). Não se trata de uma depressão, mas de um estado que merece compreensão e apoio para que não intensifique.

A famosa frase “quando nasce um bebê, nasce uma mãe” é profundamente vivenciada no puerpério. A mulher deixa de ser “grávida” para ser a mãe de alguém de um dia para o outro. Expectativas, anseios, medos, cobranças internas e sociais contribuem para que ela se sinta pressionada e incompreendida, principalmente quando os discursos que a rodeiam são: “mas seu bebê é tão saudável, tão lindo, por que você está triste?” ou “quando tive meu bebê eu era só alegria”, falas como essas fazem com que essa mulher se sinta uma “mãe ruim”ou alguém que está vivenciando a maternidade de forma anormal. Mas calma! Esse período é uma adaptação do como nos imaginávamos como mães (expectativas, modelos familiares, modelos culturais), e como é a realidade (novos sentimentos, nova dinâmica familiar, rotina etc…), sem contar, obviamente, as mudanças no corpo (estranhamento com a ausência da barriga, desafios da amamentação, mudanças na libido etc..).

Para se lidar bem com a tristeza puerperal ou “baby blues”, busque conversar com outras mulheres que já tiveram filhos (mas busque alguém com quem você sinta empatia, ressonância), pode ser uma amiga ou até grupos de apoio na internet. Além disso, a amamentação em livre demanda e o contato pele a pele com o bebê, se mostram muito benéficos para atenuar tais sentimentos e sensações. Não esconda seus sentimentos, converse também com seu/sua parceiro (a) e sugira que essa pessoa também busque informação sobre o assunto para que possa apóia-la de forma adequada.

Agora, percebendo que esses sintomas estão se intensificando e prejudicando de forma grave o auto cuidado e vinculação com o bebê, converse com seu obstetra, ele pode te encaminhar para um psiquiatra e para um psicólogo. Em se tratando de depressão pós parto, ela pode surgir até o primeiro ano de vida do bebê, é algo sério e precisa de tratamento adequado. Nesse caso, é preciso considerar que há risco para mãe e bebê, já que a relação entre eles não é adequada. Algumas mães não conseguem nem tocar em seus bebês (gerando apatia neles), outras não permitem que ninguém mais o faça.

É muito importante conhecermos a diferença entre depressão pós parto e tristeza puerperal para não subestimarmos uma e/ou invalidarmos a outra.

 

 

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